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quinta-feira, 7 de março de 2013

Abrir mão é difícil?

Oi meninas, tudo bem?

Preciso falar sobre algo que me aconteceu e me fez pensar:
Estava na faculdade na terça e conversa rolando, alguém me perguntou o que tenho feito para emagrecer. Uma me deu o caderno e pediu para escrever o que eu não como mais. Eu morri de rir e respondi: Não tem segredo. É comer certo e fazer exercício.
Aí vieram os comentários: Mas eu não consigo ficar sem chocolate todo dia, eu não consigo dizer não ao refri, ao salgadinho, aos doces, exercício nem pensar e etc. A que me entregou o caderno  abriu a bolsa e tirou de lá 10 bombons miniaturas, mais 2 pirulitos, confete...Parecia uma bolsa-bomboniere!
Uma delas disse que estava com sérios problemas de saúde, quase diabética, colesterol nas alturas, mas não conseguia perder peso. Essa me perguntou se eu não como mais chocolate e eu respondi que sim, mas diferente de antes, como de vez em quando e muito pouco porque não é a quantidade que mata a vontade. 
Pronto! Foi um tal de "Meu Jesus, eu não consigo ficar sem chocolate!" ou "não dá pra eu não comer doce todo dia!" e também "eu PRECISO tomar coca-cola todo dia, senão piro!".
Eu somente sorri e disse: 
Esqueci que tem um segredo para perder peso. Você realmente precisa querer!
Todo mundo sabe o que faz mal, o que engorda. O problema é estar disposto a dizer não, a abrir mão. 

Tem que querer de todo o coração, com todas as suas forças. Só assim a gente consegue a motivação necessária para dizer não ao enorme mundo de guloseimas que nos cercam. É preciso querer muito para entender que a quantidade é o problema e que a gente tem que aprender a parar. É preciso querer muito para ter disposição em fazer boas escolhas e rejeitar aquilo que todo mundo sabe que faz mal.

Não sou dona da razão, mas acho que o primeiro passo não tem que ser dado por nutricionista, endocrino. Somos nós, os maiores interessados é que temos que começar. Já atendi em uma clínica de diabéticos e me questionava sempre do por quê dessas pessoas saberem o efeito do açúcar no organismo delas e mesmo assim continuarem comendo. Com o tempo, descobri que a doença estava presente, mas muitas não queriam abrir mão de nada para mudarem de vida, para terem saúde. 
O "abrir mão" era difícil para essas pessoas e elas se agarravam a comida e ao açúcar como tábua de salvação (que paradoxo, hein!). 
Existem pessoas com dificuldades de abrir mão, de mudar o caminho. Ficam ali, enraizadas nas suas crenças e não conseguem pensar em outra possibilidade. Racionalmente ela quer mudar, mas não consegue porque algo mais profundo a faz se sabotar, a faz voltar sempre ao caminho de antes. Por isso é importante se conhecer e  puxando sardinha para meu lado - a terapia é importante.
Eu tentei de todas formas emagrecer, dizia aos quatro ventos que queria muito. Mas hoje vejo que nunca quis de verdade, o meu querer era superficial. Tinha algo mais forte que sempre me impedia de continuar. Só depois que eu descobri na terapia o significado profundo que a comida tinha para mim é que consegui engrenar e ficar firme.
Na RA ou numa dieta, temos que abrir mão de muita coisa. Mais do que isso, temos que dizer não quando, na verdade, queríamos aceitar e repetir. Em vários momentos temos que ir contra nossas emoções. Não é fácil mudar os hábitos e rejeitar aquilo que, por anos, engolíamos com o maior prazer do mundo. Não é fácil abrir mão da importância da comida, não é fácil abrir mão do corpo gordo. Não é fácil deixar de viver no automático e pensar se deve ou não comer mais um brigadeiro.Prestar atenção na gente é complicado e algumas pessoas nunca se perceberam de verdade.


Eu, várias vezes pensei. Mas e quando eu chegar aos 68 quilos, meu objetivo? Vou ter que continuar controlando tudo que como? Hoje eu sei a resposta.
Meu corpo, ao contrário do que eu pensava antes, é sábio e digno de confiança.
Eu estou reeducando ele. Há quase 6 meses tenho aprendido o que fazer e o que comer. Não há controle, há aprendizado e se eu aprendi a comer certo, não tem razão para engordar novamente. Existem coisas que comia e hábitos alimentares que eu abri mão e rejeitei mesmo, para sempre. É uma nova vida que eu escolhi.
Eu decidi abrir mão da Kel de antes. Decidi mudar o caminho, mas só consegui depois que descobri o que o antigo caminho de gordura e guloseimas era para mim.
Sei que sou mais feliz agora e é assim que quero ficar.
A comida é o que eu preciso para sobreviver. Para viver eu preciso de saúde, de estar feliz e satisfeita comigo.

É isso, amigas.
Abrir mão não é fácil, mas é necessário.
Se está difícil continuar, procurem ajuda mas não deixem esse novo caminho.
A gente merece!

quarta-feira, 6 de março de 2013

Post à jato

Não gosto de vir aqui assim correndo, mas aproveitei meu horário de café para dar 
um oi e dizer que tudo está muito bem. 
Estou muito feliz porque meu peso está caindo e tenho 
conseguido me controlar mesmo em festas. 
Ontem foi aniversário da minha mãe e comi um pedaço de torta de 1 cm (eu mesma cortei). 
Matei a vontade de comer a torta e fiquei feliz comigo. 
Balança hoje cedo marcou 73,3 kg, que totalizam 17 quilos eliminados em 5 meses e meio.

Bom poder contar essas vitórias, bom falar do quanto é gostoso o reconhecimento das
 pessoas na rua pelo meu esforço e resultado. Faz um bem danado para a autoestima.
Finalmente estou cuidando de mim!

Bom, é isso!
Tô sempre passeando no blog de vcs, mesmo que não comente.
Assim que as coisas acalmarem, eu volto com tudo.

Beijão

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O poder de um jeans

Oi meninas.
Estou sumida, mas sempre acesso o blog de vocês, só que pelo celular fica difícil comentar. 
Os dias estão corridos com essa época de "trocentas" declarações para a Receita Federal e, por enquanto, será assim. Continuo trabalhando no escritório de contabilidade que gerencio e às terças à tarde vou para a faculdade atender meus pacientes que é o que quero fazer exclusivamente daqui a pouco tempo.
Uma novidade: Ontem fiz minha matrícula na Pós Graduação em Clínica Psicanalítica e por 1 ano e meio vou estudar quinzenalmente aos sábados para me preparar melhor para clinicar.

Dia 23/03 é minha formatura e estou firme e forte no propósito de eliminar a maior quantidade possível de peso até lá. Tenho levantando mais cedo para fazer minha AF e estou cumprindo bonitinho meia hora de bike por dia, em ritmo normal/forte. Meu objetivo é chegar aos 68 quilos, quando meu IMC estará dentro de um nível normal. Mesmo que demore 3,4 meses tenho certeza absoluta que chegarei e manterei o peso normal. 

Bom, iniciei a RA com quase 90 quilos e hoje cedo me pesei e o resultado foi 74,400. Um total de 15,600 quilos devidamente eliminados para sempre da minha vida. Ontem, estava me sentindo mal com a menor calça jeans que eu tinha, tamanho 44 - forma grande, bem antiga. Era a única que eu havia guardado e não usava há 6 anos. Ela estava um saco e aí decidi comprar uma calça jeans. Normalmente iria até uma loja grande de magazine, pegaria uma e pronto. Fiz diferente dessa vez. 

Eu confesso a vocês que nunca tinha comprado uma calça de marca numa boutique. Morria de vontade, mas sabia que não encontraria calças 46/48 com muita facilidade. Ontem, durante meu almoço eu fui sozinha fazer algo que nunca tinha feito. Entrei em 4 lojas, experimentei mais de 20 calças. Coloquei na minha cabeça que não compraria mais o que coubesse, mas o que  me valorizasse e por isso me dispus a procurar e só levar quando eu realmente gostasse. A última loja que visitei era uma boutique que eu só entrava para comprar presentes para os outros. Quando passei em frente, vi que estava em liquidação. Entrei.
Lá eu pude comprar a minha primeira calça que não foi de magazine, tamanho 42 skinny. Vocês não imaginam a felicidade de caber numa calça que sequer eu conseguia vestir mesmo em tamanho grande porque é fininha na perna e não cabia porque tinha pernas grossas demais.
Meus olhos marejaram e pude ver o quanto vale a pena continuar e perseverar. Só quem passou e passa pela obesidade ou sobrepeso sabe a sensação de só vestir o que dá, comprar roupas sem forma, que não valorizam o corpo. 
Não tem preço a  sensação de entrar em qualquer loja e saber que ali você vai encontrar o que gosta e que cabe perfeitamente em você. É um sentimento de liberdade.

A RA tem sido mais que uma reeducação. Para mim tem sido um período de descobertas, de me permitir me enxergar, me elogiar e ser elogiada. Me sinto mais feminina, usando mais cores...mais desejável e essa sensação é uma delícia. 

Por várias vezes eu pensei em parar com o blog, principalmente depois que pessoas que me conhecem pessoalmente "me encontraram". Achava que abriria demais minha vida e acabaria me expondo muito. Que bom que eu não fiz isso!
Estou aqui e no cantinho de vocês menos do que gostaria, mas o bem que essa troca me faz é indescritível e ontem, ainda no provador, pensei em escrever e contar.
Obrigada por todo carinho, por entenderem meu sumiço. 
Obrigada pelos exemplos, dicas, aconselhamentos e pela força de sempre.
Vamos juntas, firmes e fortes continuar nossa caminhada.
A vitória nos espera!






terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Olhando para dentro

Oi lindonas, tudo bem com vocês?
Queria falar um pouquinho sobre o que tenho notado em mim depois que passei a observar mais meu corpo até para poder entender melhor como ele funciona. Notei que meu metabolismo trabalha diferente, ele é bem devagar, mas ele segue um ritmo que eu já percebo qual é. Normalmente me mantenho no mesmo peso regulando em gramas (pra cima e para baixo) durante 2 semanas, depois ele cai 1 quilo. 
Coisa maluca né? Parece efeito retardado! E talvez seja.

Por isso, eu já desencanei de estipular metas, de querer eliminar um monte por semana. Penso que eu tenho que me reeducar e me adaptar a uma rotina em que eu viva normalmente sem forçar a barra, sem obrigação. 
Ex. 
Eu gostaria e muito de fazer 1 hora e meia de AF por dia e também de comer uma fruta no lanche da tarde e ficar satisfeita até o jantar, mas pra mim não dá. Fazer 30 ou no máximo 45 minutos de AF eu consigo, sei que é um hábito que dá pra manter e é saudável, por isso sigo por aí. Também não gosto do clima de academia, então recorro mesmo à ergométrica e a caminhada. 
À tarde é o horário crítico que meu estômago pira e quer comer o mundo se eu deixar, então compenso comendo menos pela manhã e depois das 20 horas. Assim procuro passar ilesa na quantidade de calorias diárias (1000 a 1200). Desse jeito vou me ajeitando e de umas duas semanas pra cá, tenho feito tudo sem anotar, sem muita preocupação e o melhor, sem alteração no peso. É exatamente isso que eu quero. Reeducar e viver bem com minha nova escolha de vida, com novos hábitos incorporados e sem ter que "viver de dieta" ou controle sobre tudo.

Acho meio louco essa coisa de pegar uma rotina ou dieta que serviu pra uma amiga e começar a fazer. Pode até dar certo, mas não se sabe a que preço e até quando. Acho legal que cada um se conheça o suficiente pra saber o horário de maior fome, a melhor hora para o exercício, o que dá mais vontade de comer nos ataques de compulsão ou ansiedade e também como se proteger deles. Saber também aquilo que provoca o aumento de peso é importante para ficar longe desse alimento. Isso só o tempo é que diz e é exclusivo de cada um. 

Acho que às vezes a gente esquece de ouvir o próprio corpo e quer a todo custo desrespeitar essa máquina em prol do que outras pessoas fizeram. Já fui a um monte de nutricionistas e endocrinologistas, que me passaram dietas ótimas que funcionaram durante um tempo, mas que eu não consegui manter. Essa dietas não se adequavam ao meu ritmo e nem eu sabia disso, porque não me conhecia. Pensando nesse meu processo, notei que, quando estava com quase 90 quilos, eu mal me olhava, mal observava meus hábitos e até minhas palavras. Falava e agia sem pensar, no automático e às vezes a mando dos outros. Tento me reeducar também nesse sentido e é óbvio que não sou perfeita e sempre escorrego, mas já consigo ir além do erro, consigo me ver como a primeira na minha fila de prioridades e assim me cuido melhor, me protejo melhor.

Não é fácil modificar um hábito. Não é fácil dizer que não quer uma torta de chocolate (querendo) e comer uma fruta no lugar. Eu não digo sempre NÃO às coisas que comia antes, ainda não cheguei ao nível de sempre virar a cara para um bolo de brigadeiro e comer uma fruta feliz da vida com a troca. Mas já consigo entender que a primeira garfada no bolo tem o mesmo sabor da última, então não há razão pra devorar tudo (esse foi um exercício dificílimo).  Quase sempre trabalho com a coisa da "enganação", não compro aquilo que sei que terei vontade de comer e não acho nada errado nessa "fuga". Sei que na gaveta do escritório não pode ter nada "comível", mesmo que seja light. Essa coisa vai ficar lá piscando em neon verde e roxo até que eu coma. Então deixo a gaveta vazia e a fruta na geladeira do trabalho. Para comer alguma besteira, tenho que descer 8 andares e aí, claro, não vou. \o/ RA Salva com a frutinha! 

Acho que o melhor caminho para entender as sabotagens, as crises de compulsão e ansiedade é olhar pra dentro e não só alterar alimentação ou fazer exercício. Entender os gatilhos, entender o que nosso corpo quer, entender a causa de comer tanto. Se conhecer facilita o processo de reeducação e até motiva a continuar porque você sabe onde a coisa complica. 
A gente aprendeu a não confiar nessa carapaça, que come feito louco, que nos deixa triste quando não cabe numa roupa ou quando é apontado ou chamado de gordo. Só que a gente esquece que ele, o nosso corpo, mais do que ninguém, sabe o que é melhor pra nós. Prestando atenção nele, a gente descobre quem a gente é o tamanho da nossa capacidade e força.

Beijos, amigas!


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