Oi meninas, tudo bem?
Preciso falar sobre algo que me aconteceu e me fez pensar:
Estava na faculdade na terça e conversa rolando, alguém me perguntou o que tenho feito para emagrecer. Uma me deu o caderno e pediu para escrever o que eu não como mais. Eu morri de rir e respondi: Não tem segredo. É comer certo e fazer exercício.
Aí vieram os comentários: Mas eu não consigo ficar sem chocolate todo dia, eu não consigo dizer não ao refri, ao salgadinho, aos doces, exercício nem pensar e etc. A que me entregou o caderno abriu a bolsa e tirou de lá 10 bombons miniaturas, mais 2 pirulitos, confete...Parecia uma bolsa-bomboniere!
Uma delas disse que estava com sérios problemas de saúde, quase diabética, colesterol nas alturas, mas não conseguia perder peso. Essa me perguntou se eu não como mais chocolate e eu respondi que sim, mas diferente de antes, como de vez em quando e muito pouco porque não é a quantidade que mata a vontade.
Pronto! Foi um tal de "Meu Jesus, eu não consigo ficar sem chocolate!" ou "não dá pra eu não comer doce todo dia!" e também "eu PRECISO tomar coca-cola todo dia, senão piro!".
Eu somente sorri e disse:
Esqueci que tem um segredo para perder peso. Você realmente precisa querer!
Todo mundo sabe o que faz mal, o que engorda. O problema é estar disposto a dizer não, a abrir mão.
Tem que querer de todo o coração, com todas as suas forças. Só assim a gente consegue a motivação necessária para dizer não ao enorme mundo de guloseimas que nos cercam. É preciso querer muito para entender que a quantidade é o problema e que a gente tem que aprender a parar. É preciso querer muito para ter disposição em fazer boas escolhas e rejeitar aquilo que todo mundo sabe que faz mal.
Não sou dona da razão, mas acho que o primeiro passo não tem que ser dado por nutricionista, endocrino. Somos nós, os maiores interessados é que temos que começar. Já atendi em uma clínica de diabéticos e me questionava sempre do por quê dessas pessoas saberem o efeito do açúcar no organismo delas e mesmo assim continuarem comendo. Com o tempo, descobri que a doença estava presente, mas muitas não queriam abrir mão de nada para mudarem de vida, para terem saúde.
O "abrir mão" era difícil para essas pessoas e elas se agarravam a comida e ao açúcar como tábua de salvação (que paradoxo, hein!).
Existem pessoas com dificuldades de abrir mão, de mudar o caminho. Ficam ali, enraizadas nas suas crenças e não conseguem pensar em outra possibilidade. Racionalmente ela quer mudar, mas não consegue porque algo mais profundo a faz se sabotar, a faz voltar sempre ao caminho de antes. Por isso é importante se conhecer e puxando sardinha para meu lado - a terapia é importante.
Eu tentei de todas formas emagrecer, dizia aos quatro ventos que queria muito. Mas hoje vejo que nunca quis de verdade, o meu querer era superficial. Tinha algo mais forte que sempre me impedia de continuar. Só depois que eu descobri na terapia o significado profundo que a comida tinha para mim é que consegui engrenar e ficar firme.
Na RA ou numa dieta, temos que abrir mão de muita coisa. Mais do que isso, temos que dizer não quando, na verdade, queríamos aceitar e repetir. Em vários momentos temos que ir contra nossas emoções. Não é fácil mudar os hábitos e rejeitar aquilo que, por anos, engolíamos com o maior prazer do mundo. Não é fácil abrir mão da importância da comida, não é fácil abrir mão do corpo gordo. Não é fácil deixar de viver no automático e pensar se deve ou não comer mais um brigadeiro.Prestar atenção na gente é complicado e algumas pessoas nunca se perceberam de verdade.
Eu, várias vezes pensei. Mas e quando eu chegar aos 68 quilos, meu objetivo? Vou ter que continuar controlando tudo que como? Hoje eu sei a resposta.
Meu corpo, ao contrário do que eu pensava antes, é sábio e digno de confiança.
Eu estou reeducando ele. Há quase 6 meses tenho aprendido o que fazer e o que comer. Não há controle, há aprendizado e se eu aprendi a comer certo, não tem razão para engordar novamente. Existem coisas que comia e hábitos alimentares que eu abri mão e rejeitei mesmo, para sempre. É uma nova vida que eu escolhi.
Eu decidi abrir mão da Kel de antes. Decidi mudar o caminho, mas só consegui depois que descobri o que o antigo caminho de gordura e guloseimas era para mim.
Sei que sou mais feliz agora e é assim que quero ficar.
A comida é o que eu preciso para sobreviver. Para viver eu preciso de saúde, de estar feliz e satisfeita comigo.
É isso, amigas.
Abrir mão não é fácil, mas é necessário.
Se está difícil continuar, procurem ajuda mas não deixem esse novo caminho.
A gente merece!
4/325, bem vindo 2026
Há 8 meses

